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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

NIJUKUN


Niju kun são os vinte preceitos compilados pelo sensei Gichin Funakoshi. O comportamento de um carateca sempre foi muito enfatizado pelos mestres de karatê, devido suas habilidades trazerem também grande responsabilidade pelo sua utilização adequada. O mestre Funakoshi, também preocupado com esse aspecto, compôs um código ético próprio denominado NIJUKUN. Abaixo, o texto em japonês, com sua pronúncia e tradução.

1. karate wa rei ni hajimari rei ni owaru koto o wasuru na
1. Não se esqueça que o karatê deve iniciar com saudação e terminar com saudação.

2. karate ni sente nashi
2. No karatê não existe atitude ofensiva.

3. karate wa gi no tasuke
3. O karatê é um apoio da justiça.

4. mazu jiko o shire shikoshite hoka o shire
4. Conheça a si próprio antes de julgar os outros.

5. gijutsu yori shinjutsu
5. O espírito é mais importante do que a técnica.

6.kokoro wa hanatan koto o yōsu
6. Evitar o descontrole do equilíbrio mental.

7.wazawai wa ketai ni shōzu
7. Os infortúnios são causados pela negligência.

8.dōjō nomi no karate to omou na
8. O karatê não se limita apenas à academia.

9. karate no shūgyō wa isshō dearu
9. O aprendizado do karatê deve ser perseguido durante toda a vida.

10. arayuru mono o karate kase soko ni myōmi ari
10. O karatê dará frutos quando associado à vida cotidiana.

11. karate wa yu no gotoku taezu netsu o ataezareba moto no mizu ni kaeru
11. O karate é como água quente. Se não receber calor constantemente, esfria.

12. katsu kangae wa motsu na, makenu kangae wa hitsuyō
12. Não pense em vencer, pense em não ser vencido.

13. teki ni yotte tenka seyo
13. Mude de atitude conforme o adversário.

14. ikusa wa kyojitsu no sōjū ikan ni ari
14. A luta depende de como se usam os pontos fracos e fortes.

15.hito no teashi o ken to omoe
15. Imagine que os membros de seus adversários são como espadas.

16. danshi mon o izureba hyakuman no teki ari
16. Para cada homem que sai do seu portão, existem milhões de adversários.

17. kamae wa shoshinsha ni, ato wa shizentai
17. No início, os movimentos são artificiais, mas com a evolução tornam-se naturais.

18. kata wa tadashiku, jissen wa betsu mono
18. O treino das técnicas deve ser de acordo com o movimento correto, mas na aplicação torna-se diferente.

19. chikara no kyōjaku, karada no shinshuku, waza no kankyū o wasuru na
19. Não se esqueça de aplicar corretamente: (1) alta e baixa intensidade de força; (2) expansão e contração corporal; (3) técnicas lentas e rápidas.

20. tsune ni shinen kufū seyo
20. Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.

sábado, 8 de setembro de 2012

O significado das cores das faixas,

KARATÊ
A Cor das Faixas

A Faixa Branca (Shiro Obi) – Sem graduação (Mu Kyu):
Essa é a cor do desprendimento.
O branco reflete todas as cores. A própria cor dessa faixa indica que o seu portador ainda possui a ingenuidade e deve procurar manter a mente limpa. Entretanto, ele tem em potencial, todas as cores das demais faixas posteriores e assim como o fogo está na pedra, cabe a ele, fazê-lo brotar através da fricção do treino árduo.
A busca nesse grau é pela purificação e transformação, diante do infinito conhecimento que tem diante de si. Essa faixa nos diz que o iniciante deve buscar a humildade e a imaginação criativa, através da limpeza e da claridade dos pensamentos. É a cor síntese do arco-íris e a mais associada ao sagrado, pois simboliza paz, pureza, perfeição e especialmente o absoluto.
Ela nos diz que devemos buscar a pureza, sinceridade e a verdade. Repelindo os pensamentos negativos, procurando elevá-los, para que encontremos o equilíbrio interior, segurança e desenvolvamos o instinto e a memória.
O branco simboliza uma espécie de coringa, para todos os propósitos, é o substituto para qualquer cor, assim como uma tela em branco esperando para ser pintada.

A Faixa Amarela (Kiiro Obi) – 6º Kyu (Rokku Kyu):
Assim como um sol que desponta todos os dias, ela significa que é um iniciante ou um recém-nascido no Karatê, que com o tempo irá crescendo e fortalecendo-se, até chegar a maturidade que corresponde a faixa preta.
Assim como o sol nascente o conhecimento começa a aflorar para o iniciante. Agora ele pode vislumbrar um pouco da iluminação da descoberta e da realidade do que é o Karatê. Entretanto, assim como o amarelo é uma cor primária, isto é, não pode ser formado pela mistura de outras cores, ele também deve manter-se puro dentro da escola de Karatê que escolheu ainda evitando misturar outras coisas aos conhecimentos que está recebendo para não se confundir dentro da senda do verdadeiro Karatê.
Assim como essa cor, essa graduação lhe traz a alegria, a vida, o calor, a força, a glória, o poder mental e representa o descobrimento. Ela lhe desperta novas esperanças no caminho, dando-lhe vivacidade, alegria, desprendimento e leveza. Agora ele deve procurar desinibir-se para desenvolver seu brilho, mas também diminuir a ansiedade e as preocupações, construindo sua confiança, energia e inteligência na solução dos problemas que surgirão.
A cor dessa graduação mostra que o praticante deve reter conhecimentos e desenvolver a luz da sabedoria e da criatividade, e assim como o sol, ela deve trazer a luz para as situações difíceis.
O Amarelo simboliza: criatividade, as idéias, o conhecimento, alegria, juventude e nobreza. Apesar do amarelo estar relacionado ao elemento terra, também é uma cor Yang e representa o descobrimento e a abertura para o conhecimento do Karatê.

A Faixa Vermelha (Aka Obi) – 5º Kyu (Go Kyu):
A cor vermelha sugere motivação, atividade e vontade. Ela atrai vida nova e pontos de partida inéditos.
Essa é a cor do fogo, da paixão, do entusiasmo e dos impulsos. É a cor mais quente, ativa e estimulante. Ainda é uma cor primária que não pode ser formada pela mistura de outras cores, mostrando assim, que o praticante ainda deverá manter-se puro e fiel ao estilo de Karatê que elegeu.
Essa faixa, pela sua vibração, dá mais energia física, mostrando que agora, mais do que nunca é necessária força de vontade para não desistir da conquista dos seus ideais. Persistência, força física, estímulo e poder são seus traços típicos.
Embora o vermelho represente agressividade, perigo, fogo, sangue, paixão, destruição, raiva, guerra, combate e conquista, também simboliza aquilo que deve ser contido pelo seu portador. Esta cor faz com que você se sinta mais vigoroso, expansivo e pronto para avançar adiante em algum sentido evidente. Ela tende a atrair o olhar das pessoas e chamar a atenção. Se você usar vermelho, isso pode indicar que tem ardor e paixão, ferocidade e força. As pessoas que gostam de ação e drama apreciam essa cor. É uma cor de uma energia muito forte e o praticante deve ter o cuidado e a persistência para não se deixar ser vencido por ela e desistir do caminho. Sendo a cor do sangue, o vermelho também está relacionado à vida e à força de uma energia vital máxima. Esta é uma cor Yang.

A Faixa Laranja (Daidaiiro obi) – 4º Kyu (Yon Kyu):
Esta cor é a mistura do vermelho com o amarelo, representado que o conhecimento dos graus anteriores deve estar contido nesta graduação e trazendo as qualidades dessas duas cores. Nos diz que devemos procurar o sucesso no treino diário, agilidade, adaptabilidade, estimulação, atração e plenitude.
Essa cor também simboliza aquilo que o praticante deve buscar: o encorajamento, estimulação, robustez, atração, gentileza, cordialidade e tolerância.
Esta é a cor da comunicação, do calor afetivo, do equilíbrio, da segurança e da confiança. Quem chega nessa faixa deve acreditar que agora tudo é possível, pois essa cor estimula o otimismo, generosidade, entusiasmo e o encorajamento.
A cor laranja mostra ao praticante que ele deve fortalecer as energias e a sua vontade de vencer. A cor laranja está situada entre o elemento fogo e o elemento terra, portanto, carrega um pouco das características dos dois elementos. Também é uma cor Yang.

A Faixa Verde (Midori Obi) – 3º Kyu (Sankyu):
O verde é uma cor que representa Esperança e a Fé. É a cor mais harmoniosa e calmante de todas. Ela simboliza harmonia e equilíbrio.
Essa cor, que nos chega depois das cores quentes iniciais, nos dá a impressão de que chegamos a um oásis, depois de atravessar um árduo deserto, mas devemos saber que ainda há mais deserto a vencer.
Ela também representa as energias da natureza, esperança, perseverança, segurança e satisfação, fertilidade. O portador deve procurar desenvolver a sua sensibilidade para se comunicar com a natureza interna e externa a si mesmo.
Significa também a harmonia em que devemos estar com ela, junto com o ar, a água e o fogo, elementos da vida que proporcionam bem-estar ao ser humano.
Essa cor simboliza uma vida nova, a energia, a fertilidade, o crescimento e a saúde. Por outro lado, quando em mau aspecto, mostra um orgulho excessivo, superioridade e arrogância.
O verde é ligado ao elemento madeira e a primavera.
Representa o crescimento, desenvolvimento, natureza e saúde. Também significa a etapa da juventude, estando relacionado a este estado emocional, mostrando assim, que os conhecimentos ainda não se encontram bem claros ou maduros para os praticantes. Ainda lhes falta amadurecer mais e delineá-los melhor.

A Faixa Roxa ou Violeta (Murasaki Obi) – 2º Kyu (Nikyu):
O roxo é uma mistura das cores azul e vermelho. Essa é a cor usada pelos sacerdotes católicos para refletir santidade e humildade.
Ela gera sentimentos como respeito próprio, dignidade e auto-estima.
Esta é uma cor metafísica. É também a cor da alquimia, das transformações e da magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual.
A cor violeta é excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental.
Simboliza: dignidade, devoção, piedade, sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. Quando em mau aspecto determina manias e fanatismo.
Representa o mistério, expressa a sensação de individualidade, influenciando emoções e humores, mas também simboliza a dignidade, a inspiração e justiça. Gera tensão, poder, tristeza, piedade, sentimentalidade.
Tendo isso tudo em mente, a cor desta graduação nos indica que devemos encontrar novos caminhos e elevar nossa intuição espiritual.

A Faixa Marrom (Chairo Obi)– 1º Kyu (Ichi Kyu):
É a cor da solidificação. Representa a constância, a disciplina, a uniformidade adquirida e a observação das regras mantidas até aqui. Representa a conexão do praticante com o patrono do estilo que lhe foi passado, representado por seus mestres.
Para criar essa cor, você precisa misturar o vermelho com o preto e, portanto, ela tem alguns dos seus atributos. Também representa a autocrítica e a dependência dos mestres para chegar até aqui. Significa que se está completando o processo de amadurecimento, tanto nos conhecimentos técnicos quanto no aspecto mental.
Essa faixa, pela sua cor, emana a impressão de algo maciço e denso, compacto.
Sugere segurança e isolamento. Representa também uma poluição que deve sempre ser limpa, através da prática fiel aos princípios do Budô.
Uma pessoa que gosta de vestir-se com marrom por certo é extremamente dedicada e comprometida com o seu trabalho, sua família e seus amigos.
A cor marrom gera organização e constância, especialmente nas responsabilidades do cotidiano. As pessoas que gostam de usar essa cor são capazes de ir “à raiz das coisas” e lidar com questões complicadas de forma simples e direta. São pessoas “sensatas”.

A Faixa Preta (Kuro Obi) – 1º Dan (Sho Dan):
É a junção de todas as cores. Enfim o corpo e a mente chegaram ao final de uma jornada e ao início de outra mais elevada. A faixa na cor preta, representa humildade, autocontrole, maturidade, serenidade, disciplina, responsabilidade, dignidade e conhecimento. É a cor do poder, induz a sensação de elegância e sobriedade. Onde o que está fora não entra e o que está dentro não sai.
Observa-se que na maioria das sociedades ocidentais, o preto quase sempre é a cor da morte, do luto e da penitência, mostrando assim o estado mental de quem atingiu essa graduação.
Em geral, essa cor é usada por pessoas que rejeitam as regras convencionais ou são regidos por outras normas sociais, como é o caso dos padres ou dos guerreiros que seguem o Budô.
Essa cor também nos dá uma noção de tradição e responsabilidade. É a ausência de vibração da “não cor” que dá a sensação de proteção ou afastamento.
Por outro lado, absorve, transmuta e devolve as energias negativas, transformadas em positivas.
A meditação nessa cor permite a introspecção, favorece a auto-análise e permite um aprofundamento do indivíduo no seu processo existencial.
Remove obstáculos, vícios e emoções não desejadas. O excesso traz melancolia, depressão, tristeza, confusão, perdas e medo. A cor preta relaciona-se ao elemento água que adapta-se a todas as formas e contorna todos os obstáculos. É o símbolo do máximo Yin.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Os 10 Preceitos Tode (antigo nome okinawano do karatê) por Anko Itosu: ITOSU's LETTER 1908

Below the article in Portuguese, the article in English.
Os 10 Preceitos Tode (antigo nome okinawano do karatê) por Anko Itosu

O Tode não foi desenvolvido vindo do Budismo ou Confucionismo. Em um passado recente Shorin ryu e Shorei ryu foram trazidos da China. Ambos têm pontos fortes, então, antes de existirem muitas mudanças, eu deveria escrever isto.

1) Tode não é meramente praticado para o beneficio próprio, Pode ser usado para proteger seus pais ou seu mestre. Não e planejado para ser usado contra um simples assaltante, mas ao invés como um caminho para evitar uma luta que algum teria confrontado por um camponês ou arruaceiro.

2) O propósito do Tode e fazer músculos e ossos fortes como rocha e para usar mãos e pés como pontas de lança. Se crianças praticarem Tode durante seus dias de escola elementar, eles estariam preparados para o serviço militar. Lembrem-se das palavras de Duke de Wellington depois de vencer Napoleão ‘A batalha de Waterloo foi vencida nos playgrounds de Eton’, ou seja, que a vitória do amanhã depende das crianças de hoje.
3) Tode não pode ser aprendido rápido. Como um lento movimento dos búfalos, que normalmente caminham mil milhas, se alguém estuda seriamente todos os dias, em três ou quatro anos entenderia o que é o Tode. Estes que treinam desta maneira descobrirão o Tode.

4) Em Tode o treino de mãos e pés são importantes então eles deveriam ser treinados a fundo no makiwara. Para isso, baixe seus ombros, abra seu pulmão, segure sua forca, agarrando seus pés ao solo e concentrando sua energia no baixo abdome. Pratique cada braço cem ou duzentas vezes por dia.

5) Quando praticando as posições do Tode tenha certeza que sua costa está ereta, baixe seus ombros, concentre sua força nas pernas, mantenha-se firme e direcione sua energia para dentro do baixo abdome.

6) O bunkai deveria ser cuidadosamente praticado repetidamente, o uso destas técnicas são passadas boca a boca. Aprenda a interpretação bem, e decida quando e em qual contexto aplicar quando necessário. Observe os princípios do Torite (agarramento) e as aplicações são mais fáceis de serem entendidas.

7) Precisa decidir se o Tode será para cultivar a saúde do corpo ou para a defesa.

8) Durante a prática deve-se imaginar em um campo de batalha. Quando bloqueando e batendo mantenha seus olhos fixos, abaixe seus ombros e endureça o corpo. Sempre pratique com este espírito, e quando estiver em um campo de batalha real, você naturalmente estará preparado.

9) Não exagere durante uma prática porque haverá perda da energia do baixo abdome e seu rosto e seus olhos se tornarão vermelhos e seu corpo será prejudicado. Tenha cuidado.

10) No passado, muitos dos que dominavam o Tode viveram até longa idade. Isto é porque O Tode ajuda no desenvolvimento de ossos e músculos, ele ajuda os órgãos digestivos e é bom para a circulação sanguínea. Portanto, de agora em diante, o Tode deve se tornar a fundação de todas as lições de esporte das escolas elementares. Se isto fore colocado em prática, eu acredito que existirão muitos homens que podem vencer dez agressores.
Anko Itosu, Meiji 41, Ano do Macaco (Outubro, 1908)


ITOSU's LETTER 1908
Below is a letter written by Itosu Sensei in October of 1908. This letter preceded the introduction of karate to Okinawan schools and eventually to the Japanese mainland.

Itosu's Ten Lessons of Karate

Karate did not originate from Buddhism or Confucianism. In the recent past, both Shorin-ryu and Shorei-ryu were introduced from China. Both styles have many similarities and they both have their strong points. They should not be changed. I would like to make a record of the following things:
1. Karate is not only for the benefit of health. In order to protect one's parents or one's master, it is proper to attack a foe regardless of one's own life. Never fight an enemy without good reason. If you encounter a criminal or a ruffian, don’t fight him if you can help it, but just block as you evade, stepping out of the way.
2. The purpose of Karate is to make the body like iron, or as hard as rock. Your hands and feet should be used like the points of arrows. Your heart should be strong and brave. If children would practice Karate from the time they are in elementary school, they would be well prepared for military service. After the Duke of Wellington defeated Napoleon, he mentioned the fact that tomorrow's triumph will come from today's school yard.
3. Karate cannot be learned in a short space of time. A bull that walks very slowly will, in due time, travel a thousand miles. In like manner, if you study and practice diligently each day, in three or four years you will understand what the essence of Karate is about. Indeed, the very shape of your bones will change.
You will discover the essence of Karate if you follow these points:
4. In Karate the training of the hands and the feet are very important. You should train them thoroughly on the makiwara. When you do it, drop your shoulders, open your lungs, take hold of your strength, grip the floor with your feet and sink your ki (intrinsic forge) to your lower abdomen. Practice with each arm one to two hundred times.
5. When you are practicing Karate make sure your back is straight, drop your shoulders, take your strength and put it in your legs, stand firmly and direct the ki into your lower abdomen. You must hold the top and bottom of your abdomen together tightly.
6. You should practice the external techniques of Karate one by one, repeated over and over again, many times. These things are passed down verbally. Therefore, it is very important to spend the time and effort to learn the explanations and decide when and how they should be used. Go in, counter, release; is the rule of torite.
7. You must decide for yourself why you practice Karate, whether it is for making your body more healthy or for improving yourself in defence.
8. During practice you should imagine that you are in a real battle. When blocking and striking make your eyes glare, drop your shoulders and harden your body. Then block the incoming punch and strike! Always practice with this spirit so that when you are in a real battle, you will be well prepared to be able to react naturally.
9. Do not overexert yourself during practice, because your ki will rise up, your face and eyes will turn red and your body will be harmed. Be careful.
10. In the past, many of those who have mastered Karate have lived to an old age. This is because Karate helps to develop the bones and sinews. It also helps the digestive organs and is good for the circulation of blood. Therefore, from now on, Karate should become the foundation of all sports lessons from the elementary schools onward. If this is put into practice there will, I think, be many men who can win against ten aggressors.
The reason for writing all this is that, in my opinion, all students at the 'Shihan Chugakko' (Okinawa Prefectural Teachers' Training College) should practice Karate, so that when they graduate, they will be able to teach the school children the same way I have taught them. I predict that within ten years Karate will spread all over Okinawa and to the Japanese mainland. This will be a great asset to the military and to our society. I hope you will carefully study the words I have written here.
Anko Itosu, Meiji 41, Year of the Monkey (October 1908)

domingo, 25 de março de 2012

Filosofias do Budo


Filosofias do Budo

O que vem a seguir, é um profundo tratado filosófico sobre esta proposta milenar do budo, baseada em obras de grandes mestres do passado. Tais textos permitem ao leitor, ter um vislumbre de como deve comportar-se um guerreiro diante de uma situação de risco, seja na vida cotidiana ou em competições esportivas por exemplo, através do treinamento físico, mental e espiritual.
  1. Preparo mental
  2. Ki, Shin e Tai
  3. Postura durante a luta
  4. Como olhar durante a luta
  5. Formas de lutar
  6. Desequilíbrio Mental
  7. Gritos de Guerra
  8. Mente em "Ken" e "Tai"
  9. Ouvir o som do vento e da água
  10. A água é o espírito real e o gelo é falso
  11. A vitória completa pode ser sua derrota completa
  12. Vencer com "Ação Energética"
  13. Ato de prudência
  14. Takekurabe
  15. O segredo das técnicas
  16. A importância do treino e seus reflexos
  17. A luta
  18. Quem é bom no zen é bom na luta?


  1. Preparo mental numa luta

O Budo diz: o estado mental deve ser igual ou inabalável na hora da luta como nas horas normais da vida cotidiana. A mente deve ser livre, clara, ampla e equilibrada. Não pode se tornar tensa e nem totalmente relaxada, sem se prender a nada, e sim, calma tranqüila; à vontade, não parando por nenhum instante.
Quando fisicamente se está calmo (parado, estático) a mente deve ser inversa, isto é, em estado de alerta. Quando o corpo está em forte movimento, o espírito deve manter-se calmo, como em dias normais. Evitar que o físico e a mente sejam arrastados ou influenciados um pelo outro. Não se preocupar demasiadamente com seu próprio corpo e nem se distrair ocupando seu pensamento com assuntos banais, mas evitar que o adversário perceba sua meta real na luta. Sua mente não deve se tornar turva, para que possa captar a imagem correta e conduzir o seu pensamento a uma posição mais nobre e instantânea.
Pesquisar cada vez mais no sentido de aperfeiçoar e lapidar o espírito, aumentando cultura e conhecimento. Cultivar a força de vontade, conhecendo o bem e o mal, o correto e o incorreto. Conhecer e assimilar as mais variadas modalidades de lutas e técnicas com a própria experiência, não se deixando iludir. Tudo isto deve ser praticado sempre, para poder corresponder instantaneamente quando for solicitado nas horas de necessidade ou grande ocupação, pois isso não se conseguirá aprender em curto espaço de tempo. 


  1. "Ki", "Shin" e "Tai" - Fortalecer, adquirir e unir três forças

Ki (poder ou força que dá ação ao homem mentalmente). Energia não mecânica.
Shin ou Kokoro (coração ou sentimento)
Tai (força do corpo, inclusive as técnicas).
Ki - É uma qualidade que o homem deve adquirir, da qual origina toda a força e ação. Pode-se também definir como uma energia baseada no controle mental ou psicológico. É possível fortalecê-la infinitamente, com a prática do Budo, auxiliada pela força de decisão.
"Ki" se consegue através de treino consciente, no qual se adquiri confiança e experiência. Quando o "Ki" do homem une-se ao da natureza (leis naturais) surgirá uma força infinitamente grande. O domínio e o uso do "Ki" se consegue ampliar mais que 100% da própria capacidade, possibilitando maior proveito na vida cotidiana, no modo de agir e pensar. A energia hidroelétrica é um exemplo de união entre o homem e a natureza. Miyamoto Musashi quando adolescente, num dos duelos que travou, enfrentou um adversário fortíssimo, profissional de esgrima, conseguindo derrotá-lo aproveitando a queda de rochas como fator surpresa. Este é outro exemplo de união homem-natureza.
"Shin" ou "Kokoro" (sentimentos) - Também se deve observar, utilizar e fortificar os sentimentos, como objetivo de treino. Tentando cada vez mais lapidá-los ao alto grau de formação espiritual.
Na união do "Ki" e do "kokoro" surgem sentimentos naturais: a nobreza, lealdade, coragem, honra, responsabilidade, etiqueta, etc.
"Tai" (corpo) - O corpo deve ser forte, rápido, flexível, resistente, rico em reflexos, assimilando todas as modalidades de técnicas. Uso total do corpo, descarregando as agressividades e tensões nervosas acumuladas.
            O Budo exige muita disciplina durante o período de treinamento, tanto no início, como no término da luta, devendo-se comportar com rigorosa etiqueta em suas normas. Seu treinamento não visa apenas a vitória numa luta ou seu orgulho pessoal e sim um melhor estado físico, uma vida cotidiana mais satisfatória, a preparação para enfrentar qualquer problema.
Durante a luta deve-se encarar com grande importância a distância em relação ao oponente, além da velocidade, técnica e equilíbrio no ataque e defesa, devendo-se adquirir inicialmente, de forma concreta a base ou fundamento correto na sua modalidade esportiva, garantindo assim um bom alicerce em sua formação.  


  1. A postura durante a luta

Falando em postura, alguns mestres observaram durante a luta o comportamento dos animais selvagens e concluíram, por exemplo, que um gato quando enfrenta um adversário, curva a coluna, demonstrando sua aparência bem maior, para impressionar o oponente e proteger-se contra agressões.
Segundo Musashi, o homem é um ser superior e diz o seguinte: "kamae" existe, mas também deixa de existir, portanto, não é recomendável ficar preso ou ocupado com uma posição, pois o objetivo é derrotar o adversário e a sua técnica. Deste modo pode-se dizer que existe ou não Kamae, pois se altera de acordo com o oponente, o local, a situação, podendo ser tomada a forma mais adequada e não perder o objetivo principal, que seria derrotar o adversário. Portanto, havendo a necessidade de utilizar maiores variedades de ataques e contra-ataques, não se prender a isto e sim fixar o pensamento num único objetivo, que é a maneira para dominar o oponente. Sem isso, nunca poderá derrotá-lo.
Diz um provérbio sobre treinamento: "Hoje venci o  eu de ontem. Amanhã vencerei o meu interior e no futuro vencerei o meu superior".
"Kamae" - formas ou posições de lutar que cada lutador possui e já conhece. No entanto, qual seria a posição ideal? - Musashi diz o seguinte: seu rosto deve manter-se firme, a cabeça é o centro de gravidade do corpo, deve-se manter equilibrado, sem abaixar ou erguer, sem torcer ou inclinar. Seu olhar é firme, cujo movimento deve ser calmo e estável. Não é recomendável contrair a testa exibindo rugas, admitindo-se estas entre as sobrancelhas e ao início da linha do nariz. As vistas devem piscar menos e diminuir o angulo de abertura dos olhos. Sua fisionomia é tranqüila, a linha do nariz normal, contraindo levemente o pescoço para endireitar a posição da cabeça; do ombro até ao longo do corpo seus tônus ou tonificações musculares são uniformes.


  1. Como olhar durante a luta

SEUS OLHARES DEVEM SER AMPLOS E MAIORES EM TODOS OS SENTIDOS.
"Kam" significa ver o "conteúdo" e será observado em primeiro lugar para notar a real qualidade das coisas. Depois vem "Kem", que significa olhar seus movimentos superficiais ou estéticos.
Olhar, ler e compreender superficialmente os movimentos distantes e observar, enfrentar e saber os objetivos reais dos movimentos próximos. Ver e entender o "conteúdo", evitando a influência das atitudes estéticas ou aparências. Nas lutas de mais de um adversário, deve se olhar os lados e arredores, sem movimentar os olhos.
Busque resolver os problemas mais necessários em primeiro lugar, sem esquecer dos secundários. Na movimentação ou na forma de execução, não estacione ou pare. Existem sentidos e valores que progridem e se alteram. Quando parar significa a morte, não parar significa a vida. A água em movimento não estagna nem putrefaz. Qualquer treino deve ser pesquisado continuamente possibilitando alterações e progresso.


  1. Formas de lutar

Assim, através dos treinos, adquirir e assimilar as cinco formas de luta e todas as técnicas. O corpo aumenta sua flexibilidade, toma decisões corretas e obtém o ritmo certo, facilitando os reflexos e impulsos. No inicio, vence um adversário, depois dois, três e muitos outros, aprendendo o certo e o errado na luta e, gradativamente, começando a perceber seu real objetivo.
Não se deve apressar e nem precipitar nos treinos e sim conhecer vários tipos de adversários, inclusive o preparo mental deles, alcançando essa meta com as próprias experiências vividas.


  1. Desequilíbrio Mental

São várias as causas da perda de equilíbrio mental: trauma psicológico, no caso de perigo, situações imprevistas, dúvidas, emoções descontroladas, acidentes, medo, etc. que podem influenciar o adversário e também a si próprio. Portanto, é muito importante, principalmente durante uma luta, enfrentando o oponente a frente, a exigência e necessidade do maior controle do seu estado psicológico. Aquele que conseguir esse controle perante seu atacante, já terá uma grande vantagem, possibilitando uma vitória com relativa facilidade. Assim, para abalar o estado mental do adversário é preciso citar situações, como golpes falsos, etc., utilizando ao máximo os recursos e conhecimentos adquiridos através de pesquisas profundas, as quais são necessárias. Conseguindo desequilibrar psicologicamente o adversário, este se torna inseguro e abalado, perdendo o controle físico.


  1. "Kiai" (Gritos de Guerra)

O 'Kiai' pode ser aplicado em três momentos: inicial, durante e final. Os gritos de guerra servem para aumentar, acelerar e expor a força de ação do homem. Portanto podem ser aplicados contra incêndios, vendavais e as fortes ondas marítimas, para criar coragem e energia para enfrentá-los.
Na luta individual, para colocar o adversário em movimento, o grito antecipa os golpes. Não é necessário utilizar o grito, simultaneamente com os golpes. No decorrer da luta, ele servirá para incentivar numa situação, numa onda quente a correnteza da vitória (e este também é baixo, forte e profundo). Usa-se também como agente animador numa torcida. Deve-se tomar precauções ao gritar, pois se o grito for usado fora do ritmo e tempo ou em ocasiões impróprias, poderá surgir como contra efeito, tornando-se prejudicial.


  1. Mente em "Ken" (ataque) e "Tai" (defesa)

"Ken", significa atacar violentamente e vencer com enérgica iniciativa, isto é, como uma explosão total de forças.
"Tai", esperar o ataque do adversário, mas com bastante precaução, estando física e mentalmente pronto para o mesmo, refletindo instantaneamente e não apenas para defender-se logo. Neste caso, o reflexo deve ser como "antecipar a iniciativa do ataque do oponente".
Pode-se colocar o corpo em "ken" (ataque) e a mente em "Tai" (defesa), ou vice-versa. Isto pode ser chamado como alternância da mente e do corpo em Ken e Tai. A razão disto está em não deixar que a mente e o corpo estejam em Ken (ataque), porque surgirão algumas falhas no descontrole de um deles. É como se fosse um automóvel com excesso de velocidade e o motorista em estado mental agitado, havendo assim uma grande possibilidade de perigo. Sendo ao contrário o corpo e a mente em Tai, simultaneamente, a luta tornar-se-á monótona e será surpreendido pelo adversário, o que também não é recomendável. Então o ideal seria o controle harmonioso entre o corpo e a mente sempre em alternância.


  1. Ouvir o Som do Vento e da Água

O homem pode se dividir em duas partes: parte externa ou superficial e interna ou mental. O controle ideal seria semelhante ao do Texto anterior, mas também pode dizer-se que, para um lutador, sua parte externa deve colocar-se em estado calmo e a parte interna em estado dinâmico e ativo.
Yagyu Tajimano kami diz: "O vento em si não emite nenhum som. Mas, se vier a soprar mais baixo e em contato com diversos tipos de obstáculos, emite vários tipos de sons. A água quando cai, não tem som, mas ao chocar-se contra algum obstáculo, produz diversos sons. Assim, deve-se reagir calmamente de acordo com as circunstâncias e necessidades. Deve-se manter a calma superficialmente, porém, no interior deve-se se estar em ação para se aprimorar."
No Budo, o corpo em movimento nervoso não é recomendável e também se deve evitar a influência mental pela movimentação superficial.
Existem os termos IN, que se pode traduzir como pólo negativo, lua, noite, dorsal e YOU, pólo positivo, Sol, dia, facial. Ambos são necessários para compreensão de tudo que nos cerca. Devem ser ajustados equilibradamente, simultaneamente com a sua parte externa e interna do corpo. Quando a sua parte interna for YOU (ativa), a parte externa é IN (calma) ou vice-versa, deverá sempre haver um equilíbrio entre a mente e o corpo.
O "Ki" pode ser expresso na alegria, no estado de atenção, de alerta de vontade, nos anseios, etc. e assim se pode trabalhar com o KI (energia de ação) em grande uso no seu interior e com cuidado e precaução no exterior ou, no interior calma e exterior ativo. Expondo o KI desse modo, tudo isso deve ser natural como o amanhecer e o anoitecer.
Assim, Ken (ataque), Tai (defesa), Dou (movimento) e Sei (parado) devem ser ajustados harmonicamente e alternadamente no seu interior e exterior do corpo ou inversamente.
Um pássaro d'água que flutua sobre a mesma, aparentemente está calmo, mas por baixo da superfície da água está utilizando cuidadosamente suas patas a procura de iscas. Existem duas faces opostas chegando à perfeição, cujo trabalho do corpo no seu íntimo e no exterior se torna uma ação conjunta, perfeitamente livre e espontânea. Jubei Yagyu analisando o provérbio acima citado, diz: "Durante a luta tenha sua mente tranqüila consigo mesmo, até possa ou consiga ouvir o sussurro do vento e da água."


  1. A água é o espírito real e o gelo é falso

O espírito real quer dizer: conseguir vencer, analisar e agir de modo correto do seu estado mental normal, o que não fica preso a qualquer coisa.
O espírito falso, ao contrário, se torna preso a um pensamento isolado. Agora, se seus espíritos reais se concentrarem apenas num lugar, tornando-se sólido, transformar-se-ão em espíritos falsos. Deste modo, não poderá reagir naturalmente contra os diversos tipos de problemas que surgem ao redor.
A água e o gelo são semelhantes, mas não iguais, pois com o gelo não se pode lavar. Derretendo-o e permitindo que se escoe livremente em todas as direções, torna-se então utilizável.
Com a mente acontece o mesmo, não se deixar prender, pois ficando sólida, perde a flexibilidade e não poderá ser utilizada. Derretendo-a e permitindo que se escoe por todo seu corpo, onde quer que seja, em todo lugar, livremente, assim se pode dizer que é o espírito real. Quando a mente fica presa por uma flor vermelha, esquecendo-se do tronco, raízes e folhas, perde-se a visão do conjunto. O homem, às vezes, refletindo sobre seus atos, logo percebe porque estava tão nervoso e descontrolado por assuntos tão banais. Isto quer dizer que a mente estava presa e sólida.





  1. A vitória completa pode ser sua derrota completa

Existe um provérbio que diz: "Conhecendo-se o adversário e conhecendo-se a si próprio, pode se lutar cem vezes que não haverá perigo. Não conhecendo o adversário, porém conhecendo-se a si, às vezes se pode ganhar ou perder. Mas, se não se conhece o adversário e nem a si próprio, nunca se conseguirá vencer."
É necessário admitir corajosa as próprias falhas o que poderá ser a causa da derrota. Não exceder sua capacidade e nem se rebaixar. O excesso de orgulho e outras falhas acontecem devido à falta de visão realista, coragem e cultura. É preciso conhecer o seu "eu" fraco e o forte para adquirir a vitória.


  1. Dominar com "Iguem" (Kuraidori) e vencer com " Ação energética" (Ikioi)

"Iguem" ou "Kuraidori" significa que o homem domina o adversário não pela técnica da luta e nem pela força, mas sim por uma espécie de energia irradiada que se manifesta pelo grau de formação espiritual, cultural e do caráter do indivíduo. "Iguem" não se altera por influência externa ou circunstâncias, porque isto é uma qualidade adquirida do homem.
Com o "Iguem" e uma vez que o individuo tomou a posição de luta (kamae) que é a posição realmente perfeita, exercendo uma pressão dominadora contra o oponente, sem a necessidade de movimentos, sua atitude nunca será influenciada ou abalada pelos movimentos adversários.
"Ikioi" é um movimento ou ação bastante forte e esmagadora, além de dominadora, contra o adversário.
"Iguem" é calmo, mas no íntimo contêm mil variações e alterações de reflexos, prontos contra qualquer tipo de ataque do adversário. Junto com o movimento "Ikioi", cuja ação é esmagadora, anula as mil tentativas do oponente.
Assim diz-se: Enfrente o adversário com Iguem e vença com o Ikioi. São as duas coisas num objetivo só. Dentro de Iguem, contém Ikioi e vice-versa. Quando apresentar Iguem forte, não temerá o oponente e nem terá dúvidas de si próprio.
  1. Ato de prudência e seu procedimento diário

Para expor com perfeição toda capacidade de conhecimento, deve-se agir de modo prudente, habitual e constante, em qualquer circunstância. A maioria das técnicas, atos fenomenais e lendários transcritos, foram baseados na dedicação e seu melhor controle mental e não com o auxílio de milagres. Mesmo possuindo técnicas fenomenais, caso for surpreendido numa hora de distração, não conseguirá realizar um trabalho consciente. Portanto, na hora de sentar-se, verifique discretamente ao seu redor, em todos os sentidos e direções, de modo a prevenir-se contra qualquer incidente. Também, quando estiver perto de uma porta, observar cuidadosamente, preparando-se contra o perigo.
Assim como no exemplo citado acima, deve-se ser prudente no modo de agir, de proceder, preparando-se física e mentalmente para estar apto a qualquer situação, através do seu treino e prática constante. Só assim conseguirá uma reação satisfatória em qualquer ambiente.
Para uma pessoa bem treinada no seu modo de proceder, com o olhar, pode transformar seu olhar em um golpe que se denomina "Mitsume", isto é, um olhar relâmpago e dominador, em que o adversário perde suas reações e reflexos, sendo que, esta falha, numa fração de segundo, poderá ser uma das causas de derrota. O gato, com seu olhar, consegue paralisar o rato e este esquece-se das pernas para fugir, preocupando-se com o olhar fulminante do gato. Os acontecimentos imprevistos podem ser diabólicos e fatais, apresentados sob mil variações e quem não estiver preparado, mesmo possuindo boas técnicas, poderá falhar na união da técnica, mente e corpo que refletem inconscientemente as suas capacidades com perfeição.


  1. Takekurabe

Takekurabe significa aferição de altura. Isso explica o ato de aproximar-se ou chocar-se contra o adversário, para evitar tomar uma postura rebaixadora. Em qualquer situação, para penetrar no adversário, é necessário que o corpo se alongue, se estenda ao todo, que fique mais solto, à vontade, cheio de reflexos, evitando que se torne encolhido ou espremido. Assim, deve-se enfrentar o adversário, corajosamente, frente a frente, dominador, exercendo pressão no adversário e com força, como se fosse numa aferição de altura.


  1. O segredo das técnicas

A luta não é magia, portanto, não há necessidade de esconder certas técnicas, fazendo segredo. O bom método seria transmitir as técnicas mais fáceis de assimilar, evoluindo para as mais difíceis, juntamente com as teorias mais simples de adaptação e, pouco a pouco, de acordo com o progresso do indivíduo se aprofundando nos assuntos mais complexos. Na luta, às vezes, é melhor utilizar as técnicas fenomenais, não só por aquele que está com o nível técnico em condições de entender do assunto e ter capacidade para utilizá-las com grande aproveito, como por aquele que já é um mestre.
No Budo, o mestre pode se orgulhar, mesmo que ensine tudo que conhece. Ninguém consegue superá-lo porque existe constante progresso e aprimoramento entre professor e o aluno. Não merece respeito, aquele que leva o budo, exibindo aos leigos os seus mil e um manejos, impressionando-os. O budo não é show, portanto deve ser modesto e servir para o aperfeiçoamento de algo mais na formação de sua personalidade. Possuir bons princípios e confiança, evitando tomar o caminho malévolo e a autodestruição conseqüentemente.


  1. A importância dos treinos e seus reflexos

Existe uma tendência no campo esportivo de que as teorias antecipam-se às praticas em geral. As posições de lutas são mais fáceis de assimilar do que as movimentações na luta. Estas tendências ocorrem principalmente quando o adepto tenta se aperfeiçoar fugindo de sua prática e permanecendo longe das experiências vividas.
Os reflexos e as técnicas instantâneas não nascem com os pensamentos ou cálculos e sim através do fenômeno natural  que é a maior repetição e a sedimentação constante dos treinos e estes se revelam de um modo mais econômico e perfeito contra diversas formas e tipos de ataques. O treino deve objetivar a vitória, descobrir o caminho real da vida e com persistência no treino, o corpo adquire suas teorias. Através dos treinos, atingindo certo nível, consegue-se diminuir os problemas e tensões que abalam a mente, que trabalham em conjunto e unidade.
Os movimentos na luta tornam-se automáticos e inconscientemente reagem contra qualquer situação em que se encontrem de modo tranqüilo. Toda esta automatização se adquire com o aprimoramento da pesquisa no treino e a dedicação, conseguindo ultrapassar seus ensinamentos, atingindo então o "Satori" (perfeição, iluminação) que não se aprende através de ensinamentos e isto se descobre com o próprio corpo.
Então surge a dúvida - como deve ser o seu treino para que as teorias não se antecipem às práticas? Isto, Yagyu esclarece através da denominação - "grau da lua e da água" (Suiguetsu-no-Kurai). A Lua reflete na água em diversas formas, por motivos de muito tipos de ondas influenciadas pelo ambiente, mas a imagem real é única. O indivíduo bem formado e equilibrado, mesmo de um ambiente sujo, não se contamina, em perfeito estado. É como uma jóia bem lapidada que mesmo dentro da lama, não perde o brilho. Porém, uma pedra não lapidada, a sujeira e a poeira facilmente aderem a ela. manter o estado mental em "Mushim", quer dizer não ficar escravizado por interesses e idéias confusas e também de mau conceito mental.
Não se define a imagem real do estado mental mas, pode concretizar-se, exemplificando como a água que não possui forma definida, se situando em qualquer recipiente, quer seja redondo ou quadrado, livremente. Não se deve preocupar somente com um conteúdo de treinamento. Assim nos golpes a aplicar, acompanham as técnicas, para as quais participam suas leis e princípios fundamentais. A força mental é a origem das técnicas e a forma ou base de lutar é a origem dos movimentos nos golpes. Através da lealdade consigo mesmo, consegue-se adquirir a vitória, mas com o engano e malandragem, a vitória vem raramente. Não se deve progredir com teorias emprestadas, fugindo das próprias experiências que vive.




  1. A Luta
           
Um estilo explica: quando enfrentar o adversário seriamente, em frente, surgem duas faces na mente. Uma é para vencê-lo e dominá-lo, outra é o medo tentando fugir da situação, pois a outra é uma coragem falsa e imposta. Aceitar esta realidade e treiná-la para fortificá-la cada vez mais se faz necessário para ter o domínio perfeito das técnicas, inclusive o seu físico. A essência do budo é utilizar ao máximo o trabalho fenomenal da mente, pesquisando-a, sedimentando-a gradativamente para o melhor.
Um cego aproxima-se da cobra sem medo, pois ele não a vê e não conhece o perigo. No início do treino, surge uma etapa em que se enxerga o medo e não consegue se movimentar, mas com persistência, ultrapassando essa barreira, aprende-se a se afastar do perigo.


  1. Quem é bom no zen é bom na luta?

Seus objetivos são distintos, mas muitos falam de seu relacionamento e se confundem. Zen é para ultrapassar o mundo da vida ou da morte, para adquirir a paz espiritual ou mental, conseguindo assim a mente clara e o bom raciocínio, anulando todos os problemas que nos cercam. Deste modo, estando numa situação, no meio de mil adversários, mesmo o seu corpo sendo triturado, consegue manter o estado mental consciente. Mas este estado mental não serve para livrá-lo da morte. Mas, sim, para não temê-la.
Portanto, a diferença no budo seria afastar ou defender-se da morte com autoconfiança. Assim, o estado mental em equilíbrio pode enfrentar e resolver os problemas de modo mais conveniente e útil para si.
Concluindo, só o treino mental não basta, é necessário fortalecer a técnica através do corpo, evitando desta maneira, a influência maléfica. Assim a mente nunca será ameaçada.



[1] Organizado por Wanderley da Silva